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Diálogos com as Juventudes mobiliza 760 estudantes e aproxima Judiciário dos jovens

Longe das bancadas imponentes, das vestes formais e da linguagem técnica que costumam ditar o ritmo dos tribunais, 86 magistradas e magistrados decidiram cruzar as portas das escolas públicas brasileiras. O objetivo foi inverter os papéis tradicionais: em vez de julgar, sentaram-se para ouvir e dialogar com mais de 760 estudantes do ensino médio, conectando a realidade do Poder Judiciário ao cotidiano dos jovens nas cinco regiões do país. Essa aproximação faz parte do projeto Diálogos com as Juventudes, uma iniciativa desenhada para humanizar o acesso à Justiça e transformar as salas de aula em arenas de debate sobre direitos humanos e cidadania ativa. Ao longo de 2025, o projeto promoveu oito oficinas piloto presenciais, que serviram de palco para reflexões sobre temas como a equidade étnico-racial, a cidadania no ambiente digital, a justiça climática, além das potências da arte e da cultura. O saldo pedagógico e social desse intercâmbio foi consolidado na 7ª edição do Boletim Analítico Olhares Plurais. A publicação é fruto do Programa Justiça Plural, uma cooperação entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que traduz em análises o retrato de uma juventude que quer e precisa ser ouvida. Segundo a juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Adriana Melonio, a proposta parte do reconhecimento da persidade de trajetórias e vivências das juventudes brasileiras. “A escolha do projeto de se referir às juventudes, no plural, reconhece a multiplicidade de experiências neste grupo. Essa compreensão é fundamental para uma iniciativa que não busca falar para jovens de forma homogeneizante e adultocêntrica, mas estabelecer um diálogo horizontal que reconheça suas potências criativas e políticas”, afirma. As oficinas combinaram metodologias participativas, atividades culturais e reflexões sobre temas contemporâneos relacionados aos direitos humanos e ao acesso à Justiça. Os encontros também abriram espaço para que estudantes compartilhassem percepções sobre desafios vivenciados em seus territórios. “Eu não sou tão interessada pela área do Direito, mas foi muito bom saber mais sobre as leis e sobre os direitos que eu tenho como mulher e estudante. Posso levar isso para o trabalho, para os meus amigos e para os lugares que frequento”, relatou uma participante da oficina realizada no Rio Grande do Sul. “O racismo às vezes é ‘hereditário’, passando de pai para filho pela convivência. Quando temos uma educação antirracista, é mais difícil que os jovens levem adiante esse tipo de pensamento”, destacou um estudante participante da oficina em Cuiabá. Ciclo de oficinas O primeiro ciclo do projeto percorreu as cinco regiões do país. Em Cuiabá (MT), a oficina inaugural abordou a equidade étnico-racial, utilizando referências como a música Negro Drama, dos Racionais MC’s, e a obra Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus. Em Aracaju (SE), os debates tiveram como foco cidadania digital, racismo, direitos das mulheres, cyberbullying e participação estudantil. No Espírito Santo, oficinas realizadas em Vitória e Vila Velha discutiram persidade étnico-racial e cidadania digital por meio de dinâmicas interativas. Na região Norte, as atividades ocorreram em Porto Velho e Ariquemes (RO), com reflexões sobre equidade racial, desinformação e direitos indígenas. Já no Sul, oficinas realizadas em Porto Alegre e Gravataí (RS) abordaram racismo ambiental, justiça climática e cidadania digital, relacionando os temas à realidade das comunidades escolares. Modelo replicável A experiência piloto teve como objetivo consolidar uma metodologia replicável para ampliar o diálogo com as juventudes no ambiente escolar. Os resultados indicam potencial de expansão da iniciativa: foram mapeadas 106 escolas públicas, dentre elas, 29 manifestaram interesse formal em participar do projeto, demonstrando adesão e receptividade à proposta. Além das oficinas e do mapeamento das escolas, foram produzidos materiais didáticos em formato de cartilhas para estudantes e magistrados. Ainda neste ano, a fase piloto será complementada por um curso autoinstrucional para fortalecer capacidades e orientar a implementação do projeto Diálogos com as Juventudes em tribunais e conselhos de todo o país. O boletim Olhares Plurais é uma publicação periódica que apresenta, de forma objetiva, experiências, dados e reflexões para apoiar a tomada de decisão e contribuir para o aperfeiçoamento de políticas e práticas judiciais. Todas as edições do boletim podem ser acessadas na página de publicações do Programa Justiça Plural. Acesse a 7ª edição do boletim Olhares Plurais – O Poder Judiciário em Diálogos com as Juventudes e saiba mais Programa Justiça Plural O programa Justiça Plural, iniciativa do CNJ em parceria com o Pnud, busca fortalecer as capacidades do Poder Judiciário na promoção dos direitos humanos e socioambientais e na ampliação do acesso à Justiça por populações estruturalmente vulnerabilizadas. Texto: Jéssica Chiareli Revisão: Gabriela Amorim e Cauã Samôr Agência CNJ de Notícias Número de visualizações: 48
09/07/2026 (00:00)
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